Autor: Vladimir Kuse
Ilustração: Beto Soares/Estúdio Boom

Equipamentos usados na construção requerem atenção maior à NR 12

Os investimentos na construção civil nos últimos anos – no setor imobiliário, infraestrutura e em obras do governo, teve um grande impacto também nos acidentes e mortes neste segmento. A retomada do crescimento, modernização da economia, pré-sal, os eventos da Copa do Mundo e Olimpíadas vão aumentar ainda mais a oferta de vagas no mercado de trabalho, principalmente para profissionais qualificados.

Governo e empresas se mobilizam de forma frenética para formar a mão de obra que está em falta no mercado. Mas, infelizmente, o país não está preparado e nem dispõe de profissionais qualificados para a grande demanda e quantidade de obras que vimos e veremos nos próximos anos.

O vice-presidente de Relações Capital-Trabalho do Sinduscon-SP, Haruo Ishikawa, confirma que a alta do investimento na construção civil nos últimos anos, teve impacto também nos acidentes e mortes registradas no setor. “O país não estava preparado com profissionais qualificados para o boom de obras que vimos nos últimos anos”, disse ele. Segundo Ishikawa, o número de trabalhadores formais no segmento aumentou de 1,5 milhão para 3,5 milhões entre 2006 e 2012.

Informalidade

Se acrescentarmos a esta conta ainda as contratações informais, a entidade diz que teremos no total mais de 6 milhões de trabalhadores atuando em obras.  Já a prática da terceirização, pautada eminentemente pela redução de custos, com o objetivo claro de transferência de responsabilidades das empresas principais para empreiteiras, subempreiteiras, só contribuiu para as contratações de mão de obra totalmente despreparada e desqualificada, resultando em mais acidentes e o pior: acidentes com vítimas fatais.

Obras sem planejamento técnico para instalação de máquinas, quadros elétricos sem aterramento eficiente em um ambiente úmido, muitas vezes sem espaço para a movimentação de máquinas, material e pessoas, contribuem para que os riscos aumentem e a probabilidade de acontecer um acidente também. Mortes por choque elétrico em betoneiras possuem elevados índices estatísticos de acidentes de trabalho. As instalações elétricas e a inexistência de aterramento e de instalações que atendam à NR 10 são a causa da maioria destas ocorrências.

Ao se observar os canteiros de obra percebe-se que já houve uma grande melhoria em condições de trabalho, inclusive com redução do número de acidentes, mas ainda precisamos que os nossos empresários e os operários tenham uma cultura maior de segurança. Alguns equipamentos merecem um cuidado especial em seu manuseio durante as atividades nos canteiros.

Elevadores

Os elevadores de carga e de pessoas utilizados nos canteiros de obra são grandes causadores de acidentes, em sua maioria, fatais. Fato que trouxe para dentro da NR 12 o Anexo XII que aborda sobre a questão enfocando as medidas preventivas adequadas a serem adotadas em equipamentos de guindar e de elevação de pessoas.

É comum vermos nos canteiros de obra elevadores de cremalheira, o que já é um grande avanço em relação aos elevadores de cabo de aço. Porém, mesmo que o empresário proprietário da obra tenha comprado um elevador de cremalheira, não significa que o mesmo seja eficiente e que vá atender ao previsto na NR 12. Este equipamento deverá ainda conter toda uma instalação que atenda aos requisitos estabelecidos nesta Norma. Confira no box, Itens indispensáveis em elevadores de cremalheira.

Após ter feito a análise de risco que determina a categoria de risco e segurança destes elevadores, por meio da quantificação dos riscos (método HRN), pode-se obter um resultado adequado, que dará total garantia de que o elevador operará com segurança e eficiência. Outro aspecto importante é que a porta de acesso ao elevador no térreo e nos andares condicionará sua liberação de abertura apenas mediante a identificação do elevador pelo sistema de segurança na posição, ou seja, a porta só abre se o elevador estiver no referido andar.

A abertura da proteção móvel deve acontecer somente após o operador acionar a chave de liberação da porta e depois da parada total dos movimentos do elevador, sendo liberada a retenção da chave de segurança e a abertura da porta apenas na posição (do andar). O elevador só inicia o ciclo de operação quando as portas estiverem totalmente fechadas e o operador acionar o botão de reset (movimento intencional).

Os circuitos elétricos devem atender ao definido na análise de risco, conforme o item 12.38 da NR 12, que diz: “as zonas de perigo das máquinas e equipamentos devem possuir sistemas de segurança, caracterizados por proteções fixas, móveis e dispositivos de segurança interligados que garantam proteção à saúde e à integridade física dos trabalhadores”.

Revista Proteção.

Fonte: http://www.protecao.com.br/edicoes/3/2013/AJjj