Norma de Segurança do Trabalho em Máquinas e Equipamentos – NR 12 não é nova: existe desde 1978. As atualizações no novo texto, publicado no final de 2012, em relação ao anterior têm gerado dúvidas sobre como proceder da forma mais adequada para atender aos novos requisitos. Reestruturações e adequações têm sido realizadas em toda a indústria nacional para atender às novas exigências. Buscando evitar a ocorrência de acidentes de trabalho, as plantas de celulose e papel têm se empenhado nesta questão. Apesar da busca de consenso no entendimento do texto, restam algumas divergências entre representantes de empresas, prestadores de serviços e fornecedores em torno de algumas responsabilidades cabíveis a cada parte no cumprimento da norma. “A preocupação com a segurança nas instalações e com os funcionários sempre foi presente na Klabin S.A., mas o salto quantitativo e qualitativo do novo texto em relação ao anterior tem demandado um grande empenho e demandará um pouco mais de tempo para ser implementado na sua totalidade”, afirmou Flávio Trioschi, coordenador da Comissão de Segurança e Saúde da ABTCP e coordenador Corporativo de Segurança e Saúde Ocupacional da Klabin S.A. Um caminho viável para as empresas, de acordo com Trioschi, passa inicialmente por apresentar e demonstrar a complexidade de algumas máquinas do setor de celulose e papel, construir um ambiente de diálogo e entendimento, rediscutir/reordenar algumas ações e prazos e ainda buscar as melhores práticas com foco na eficiência das proteções e nos custos operacionais reduzidos diante dos desafios da nova norma. Como exemplo, uma das máquinas que estão sendo trabalhadas em alinhamento com o novo texto normativo na Klabin é a rebobinadeira localizada em Piracicaba (SP). Segundo Trioschi, as ações experimentadas lá passaram primeiramente pelo trabalho conjunto de Engenharia/Manutenção/Operação/Segurança para o entendimento detalhado, alinhamento sobre atividades desenvolvidas neste equipamento e análise de pontos críticos (ação essa que contou com auxílio externo). “Na ocasião, optamos por fechamento total, e não pontual/parcial da rebobinadeira,  instalações dos gradis, chaves e dispositivos de controle. Falta agora ajustar alguns detalhes e realizar os testes finais”,  destacou Trioschi. Mesmo assim, algumas dúvidas ainda poderão surgir entre as recomendações da norma e a operação de alguns equipamentos. Nesse sentido é que Uwe Janssen, da unidade da MVW Rigesa, comenta “ser mais fácil atender a norma nas novas instalações do que nas mais antigas, em que existem dificuldades em realizar mudanças e adequações nos equipamentos – principalmente os mais antigos já instalados nas fábricas”.

 

Desafios da NR 12

Um dos pontos que afetaram as instalações e equipamentos das fábricas brasileiras e que devem ser observados diz respeito aos meios de acesso permanente às máquinas, como a “escada marinheiro”, conforme Janssen. De acordo com o novo texto da NR 12, há necessidade de um melhor fechamento entre anéis de proteção que envolvem esse tipo de escada, o que implica certo custo para promover a adaptação. “Ao mesmo tempo que a nova regra representa uma

segurança maior contra queda, implica também mais peso na estrutura, o que deverá ser levado em consideração nas adequações e projetos, além de exigir uma

pintura antiderrapante especial”, explicou Janssen. No balanço, a NR 12 tem muito a contribuir para aumentar a segurança dos colaboradores do setor. Entretanto,

José Carlos de Freitas, consultor convidado para o evento e um dos responsáveis pela revisão da NR 12, durante os debates alertou para os cuidados quanto à

qualidade das análises técnicas e certificação das adequações da NR 12 existentes no mercado. Durante o evento houve uma rica troca de experiências e compartilhamento de ideias, opiniões e soluções.

Por Thais Santi

Revista O Papel – novembro/November 2012